Serviço de saneamento básico
Em números aproximados, o Brasil tem uma área de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, a quinta maior do planeta e que equivale a 47% do território sulamericano. Distribuída em 5.565 municípios, 26 estados e um Distrito Federal, a população brasileira soma 189.612.814 habitantes que vivem em meio a 20% da biodiversidade do planeta. O país detém a 39ª posição entre os que oferecem melhor qualidade de vida do planeta.
O cenário parece oferecer um bom mercado para quem quer trabalhar com projetos básicos de saneamento – água, esgoto, drenagem pluvial, exploração e uso de recursos hídricos, além de resíduos – num leque de infinitas possibilidades enfeixadas na cadeira de engenharia sanitária.
O cenário se torna ainda mais promissor para a profissão diante dos dados de pesquisa recente, feita pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), dando conta que 31% dos entrevistados em 79 cidades brasileiras não sabem responder a pergunta: você sabe o que é saneamento básico?
Essa realidade explica os altos índices de doenças provocadas por esgotos e lixo a céu aberto, por exemplo, atraindo bichos transmissores de doenças que, somadas a uma alimentação e a um atendimento médico-hospitalar precários, podem levar à morte.
O professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Wanderley da Silva Paganini, resume bem essa realidade ao informar que “dois terços das internações de crianças de 0 a 10 anos são motivados pela falta de saneamento. No Brasil, em pleno século XXI, a cada 100 minutos uma criança morre por causa de doenças que são consequência da falta da coleta e tratamento de esgoto e lixo”.
Esses índices, por sua vez, se relacionam à falta de informação e educação da população e também à baixa qualidade dos serviços prestados na coleta de lixo e no fornecimento de água, um bem finito e fartamente desperdiçado pela população. Segundo Sérgio Gonçalves, chefe do Departamento de Articulação Institucional da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, do Ministério das Cidades, “em 2007, o preocupante percentual de perdas no fornecimento de água atingiu a marca de 39,1%”.
Investimento em infraestrutra abre mercado de trabalho
Embora haja campo de trabalho praticamente inesgotável em saneamento básico – cuja situação, como diz o secretário, “é preocupante”, tanto no interior do país como nas capitais – o mercado para o profissional da área está estreitamente ligado aos investimentos do governo no setor. As maiores chances de trabalho estão nas regiões Sul e Sudeste, onde se concentra a maior parte dos investimentos do governo no setor.
Na iniciativa privada, engenheiros sanitaristas encontram boas oportunidades na área de tratamento de resíduos industriais.
Atualmente, também cresce o número de empresas privadas preocupadas com a situação do meio ambiente e suas consequências a médio e longo prazo e com as pressões legais acerca da questão da poluição. Essas empresas caracterizam um novo mercado para o engenheiro sanitarista, que tem conhecimento e pode propor soluções para alguns desses problemas. As ONGs ligadas ao meio ambiente também empregam bastante na área sanitária.
Para o coordenador do Programa de Pós-graduação de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Julio Tomás Aquije Chacaltana, que em agosto, ao lado de Gonçalves, participou do seminário Pensar o Brasil, em Vitória (ES), “os números do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) são positivos, num momento muito importante para o país, porque marcam a volta dos investimentos federais em infraestrutura”. Essa medida, acredita Chacaltana, “vai refletir, inclusive, no aumento da procura por cursos de Engenharia".
Na visão do professor da UERJ e assessor do Crea-RJ, Adacto Ottoni, “o Brasil faz mau uso do dinheiro público e aplica soluções caras e ineficientes na área do saneamento. Temos que adotar soluções com sustentabilidade e considerar as especificidades de cada região. As soluções, hoje, atendem a interesses de certos grupos econômicos. Temos que realizar diagnósticos, planejar mais e fazer monitoramentos”, afirma Adacto.
Opinião compartilhada pelo também engenheiro civil e sanitarista Antônio de Lima Furtado, coordenador-adjunto da Coordenadoria Nacional das Câmaras de Ética nos Creas: “os quadros técnicos das secretarias municipais, estaduais ou federais devem ser ocupados por engenheiros”, constata.
No Sistema Confea/Crea estão registrados cerca de dois mil engenheiros sanitaristas e outros mil que são também ambientalistas no título profissional. Mas esses números podem ser bem maiores. Como o curso de graduação é recente (veja Memória), a grande maioria dos que atuam na modalidade têm graduação em engenharia civil com especialização em engenharia sanitária e ambiental.
Ainda dentro do Sistema, é recente a própria criação da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), datada de 1966, que registra perto de 13 mil profissionais e representações em 23 estados.
Preocupada com a realidade brasileira, a entidade promoveu cerca de 140 ações de capacitação sobre água, esgoto, resíduos sólidos, recursos hídricos e meio ambiente. Mais uma atividade está programada para setembro, quando a Abes realiza em Recife, Pernambuco, o 25º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental que reunirá, além de engenheiros sanitaristas, profissionais de áreas afins.
Acesso ao serviço melhora qualidade de vida e traz resultados
Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), se comparados aos dados de 1997, o Brasil melhorou muito o acesso à rede de saneamento. Em 2006, 53,23% dos brasileiros não possuíam acesso à coleta de esgoto. Em 2007 esse número caiu para 50,56%.
Apesar de positivo, o país está longe do ideal. Pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) revela que em 14 anos (1990/2004), o Brasil recuou quase 20 posições no ranking mundial de acesso a saneamento. Em 90, em 177 países, ocupávamos o 48º lugar em acesso a saneamento. Em 2004, o 67º lugar.
Alguns observadores dão conta de que a queda nas posições pode ser creditada ao crescimento populacional nas cidades e à baixa velocidade do governo em acompanhar esse crescimento. Outros, por sua vez, creditam às obras do PAC os números positivos, como o do acesso à rede de saneamento.
A pesquisa constata o que é sabido na prática: mais investimento em saneamento básico é igual a menos morte, principalmente de crianças. Em um ano, entre 2006/2007, a queda no índice de morbidade entre crianças de 1 a 4 anos de idade – relacionada a doenças infecciosas e parasitárias, diretamente ligadas ao acesso ao saneamento – foi de 14,1%, contra um aumento contínuo médio registrado entre 2000 e 2006 de 4,1% ao ano.
Sempre apontado pelos baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), até o estado do Maranhão registrou melhora com uma queda de 20,54% nos índices de morbidade de crianças da mesma faixa etária. Espírito Santo, 19,95% de queda. Santa Catarina, 19,78%. São Paulo obteve um recuo de 12,87%, contra 8,17% de Goiás, que obteve a menor queda. Em outros Estados, no entanto, a pesquisa mostra que enquanto o déficit do acesso à rede de esgoto chega a 14,44% em São Paulo, no Amapá, 97,36% da população ainda não tem saneamento básico.
O cenário parece oferecer um bom mercado para quem quer trabalhar com projetos básicos de saneamento – água, esgoto, drenagem pluvial, exploração e uso de recursos hídricos, além de resíduos – num leque de infinitas possibilidades enfeixadas na cadeira de engenharia sanitária.
O cenário se torna ainda mais promissor para a profissão diante dos dados de pesquisa recente, feita pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), dando conta que 31% dos entrevistados em 79 cidades brasileiras não sabem responder a pergunta: você sabe o que é saneamento básico?
Essa realidade explica os altos índices de doenças provocadas por esgotos e lixo a céu aberto, por exemplo, atraindo bichos transmissores de doenças que, somadas a uma alimentação e a um atendimento médico-hospitalar precários, podem levar à morte.
O professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Wanderley da Silva Paganini, resume bem essa realidade ao informar que “dois terços das internações de crianças de 0 a 10 anos são motivados pela falta de saneamento. No Brasil, em pleno século XXI, a cada 100 minutos uma criança morre por causa de doenças que são consequência da falta da coleta e tratamento de esgoto e lixo”.
Esses índices, por sua vez, se relacionam à falta de informação e educação da população e também à baixa qualidade dos serviços prestados na coleta de lixo e no fornecimento de água, um bem finito e fartamente desperdiçado pela população. Segundo Sérgio Gonçalves, chefe do Departamento de Articulação Institucional da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, do Ministério das Cidades, “em 2007, o preocupante percentual de perdas no fornecimento de água atingiu a marca de 39,1%”.
Investimento em infraestrutra abre mercado de trabalho
Embora haja campo de trabalho praticamente inesgotável em saneamento básico – cuja situação, como diz o secretário, “é preocupante”, tanto no interior do país como nas capitais – o mercado para o profissional da área está estreitamente ligado aos investimentos do governo no setor. As maiores chances de trabalho estão nas regiões Sul e Sudeste, onde se concentra a maior parte dos investimentos do governo no setor.
Na iniciativa privada, engenheiros sanitaristas encontram boas oportunidades na área de tratamento de resíduos industriais.
Atualmente, também cresce o número de empresas privadas preocupadas com a situação do meio ambiente e suas consequências a médio e longo prazo e com as pressões legais acerca da questão da poluição. Essas empresas caracterizam um novo mercado para o engenheiro sanitarista, que tem conhecimento e pode propor soluções para alguns desses problemas. As ONGs ligadas ao meio ambiente também empregam bastante na área sanitária.
Para o coordenador do Programa de Pós-graduação de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Julio Tomás Aquije Chacaltana, que em agosto, ao lado de Gonçalves, participou do seminário Pensar o Brasil, em Vitória (ES), “os números do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) são positivos, num momento muito importante para o país, porque marcam a volta dos investimentos federais em infraestrutura”. Essa medida, acredita Chacaltana, “vai refletir, inclusive, no aumento da procura por cursos de Engenharia".
Na visão do professor da UERJ e assessor do Crea-RJ, Adacto Ottoni, “o Brasil faz mau uso do dinheiro público e aplica soluções caras e ineficientes na área do saneamento. Temos que adotar soluções com sustentabilidade e considerar as especificidades de cada região. As soluções, hoje, atendem a interesses de certos grupos econômicos. Temos que realizar diagnósticos, planejar mais e fazer monitoramentos”, afirma Adacto.
Opinião compartilhada pelo também engenheiro civil e sanitarista Antônio de Lima Furtado, coordenador-adjunto da Coordenadoria Nacional das Câmaras de Ética nos Creas: “os quadros técnicos das secretarias municipais, estaduais ou federais devem ser ocupados por engenheiros”, constata.
No Sistema Confea/Crea estão registrados cerca de dois mil engenheiros sanitaristas e outros mil que são também ambientalistas no título profissional. Mas esses números podem ser bem maiores. Como o curso de graduação é recente (veja Memória), a grande maioria dos que atuam na modalidade têm graduação em engenharia civil com especialização em engenharia sanitária e ambiental.
Ainda dentro do Sistema, é recente a própria criação da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), datada de 1966, que registra perto de 13 mil profissionais e representações em 23 estados.
Preocupada com a realidade brasileira, a entidade promoveu cerca de 140 ações de capacitação sobre água, esgoto, resíduos sólidos, recursos hídricos e meio ambiente. Mais uma atividade está programada para setembro, quando a Abes realiza em Recife, Pernambuco, o 25º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental que reunirá, além de engenheiros sanitaristas, profissionais de áreas afins.
Acesso ao serviço melhora qualidade de vida e traz resultados
Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), se comparados aos dados de 1997, o Brasil melhorou muito o acesso à rede de saneamento. Em 2006, 53,23% dos brasileiros não possuíam acesso à coleta de esgoto. Em 2007 esse número caiu para 50,56%.
Apesar de positivo, o país está longe do ideal. Pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) revela que em 14 anos (1990/2004), o Brasil recuou quase 20 posições no ranking mundial de acesso a saneamento. Em 90, em 177 países, ocupávamos o 48º lugar em acesso a saneamento. Em 2004, o 67º lugar.
Alguns observadores dão conta de que a queda nas posições pode ser creditada ao crescimento populacional nas cidades e à baixa velocidade do governo em acompanhar esse crescimento. Outros, por sua vez, creditam às obras do PAC os números positivos, como o do acesso à rede de saneamento.
A pesquisa constata o que é sabido na prática: mais investimento em saneamento básico é igual a menos morte, principalmente de crianças. Em um ano, entre 2006/2007, a queda no índice de morbidade entre crianças de 1 a 4 anos de idade – relacionada a doenças infecciosas e parasitárias, diretamente ligadas ao acesso ao saneamento – foi de 14,1%, contra um aumento contínuo médio registrado entre 2000 e 2006 de 4,1% ao ano.
Sempre apontado pelos baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), até o estado do Maranhão registrou melhora com uma queda de 20,54% nos índices de morbidade de crianças da mesma faixa etária. Espírito Santo, 19,95% de queda. Santa Catarina, 19,78%. São Paulo obteve um recuo de 12,87%, contra 8,17% de Goiás, que obteve a menor queda. Em outros Estados, no entanto, a pesquisa mostra que enquanto o déficit do acesso à rede de esgoto chega a 14,44% em São Paulo, no Amapá, 97,36% da população ainda não tem saneamento básico.
Maria Helena de Carvalho e Melissa Ornelas
Assessoria de Comunicação do Confea





